Você esqueceu o casaco no banheiro? Burra pra caralho. Achados e perdidos nos Sazunidos são tão burocráticos. Isso é um aeroporto, e é de Miami. Latinos, ninguém é burocrático com latinos. Corremos pro achados e perdidos. Fala você, meu inglês é uma merda. O casaco é seu! Mas fala você. Excuse me, she lost her coat. A atendente sabe a arte de bitchfacear. Latinas, ela pensa. Pede o passaporte da minha amiga. Folheia aqui, folheia ali. Solta um sorriso. PÁRA TUDO, um sorriso? Vieram pra Disney?, ela pergunta. Duas estrangeiras não podem estar nos Sazunidos sozinhas que já vieram pra Disney? Minha amiga finalmente estreia o inglês. Uma merda mesmo. A atendente grampeia no passaporte todos os documentos soltos. Não perca isso!, ela sugere. Me encara. Dou meu passaporte. A atendente grampeia. Minha amiga assina um formulário que consta RG, número do passaporte, informações sobre o visto, nome completo. Ela só esqueceu um casaco! Saímos de lá. Pra quê tudo isso pra pegar meu casaco de volta? Sei lá. Atendente legal. Não achei. Minha amiga quer entrar na loja de perfumes, mas é só para voos internacionais. Vim do Brasil, moça. Não adianta, internacional é Europa. Saímos bufando. É mal amada. Mal comida. Essa aí não vê um há muitos…
Ei, espera, olha aquilo! Isso é um aeroporto ou um shopping? Ta parecendo mais um outlet. Eu lembro que tem um outlet do lado do nosso hotel. Sério? Como assim? Não dá, não pode. É só atravessar a rua? Você sabe o estrago que isso vai fazer no meu cartão de crédito? A barriga ronca. O Burger King do Brasil é melhor, ela diz. Eu nunca comi Burger King no Brasil, eu digo. Tenho que andar na frente e entrar na fila pra não ver a bitchface. Pedimos. Prefiro McDonald’s. O do Brasil é melhor. E aqui é refil. Nos Estados Unidos qualquer refrigerante é refil, dã. Lixo no lixo. Consultamos as horas. Mais 5 horas para o nosso voo. Tour pela cidade? Olha o McDonald’s em forma de batata frita! Tira foto, tira foto. O daqui é ruim. Tem promoção com nuggets, batata e refri, é bom. Alguém no ônibus de latinos lembra que nos Estados Unidos a gente pode devolver as compras. Passamos em frente um outlet. A gente compra e, se não gostar, devolve. Mas temos menos de 3 horas em Miami. Abortamos a ideia. Amanhã, amanhã a gente compra. 11:11 no relógio do ônibus. Um grupinho de adolescentes começa a gritar o alfabeto inteiro até 11:12. Americanos bitchfaceam pra elas. As meninas cansam e começam a cantar. Alto. Em português. Vamos descer na próxima porque tenho vergonha alheia. Corremos pro aeroporto. Malas, passaporte, despachar malas, tirar o sapato, os brincos, esconder o celular, rezar pra não confundirem seu chiclete em pó com maconha. Bagagem de mão liberada no raio X. Sala de embarque. Lanchonete com guloseimas e revistas salvam a vida de quem tem horas de voo pela frente. Atendente mal humorada. Mal comida! Uma People en español, uma Vogue, uma qualquer-coisa-Teen (hey, tinha o Diego Luna na capa!), uma People in english, uma Elle, uma Vanity Fair. Três sacos tamanho família de M&MS amarelo. Hey, tem esse verde-cocô! Não tem no Brasil, vamos levar. Pringles também. A que não tem no Brasil, claro. Nerds, chocolate do Willy Wonka. Achocolatado metido a filme americano e manteiga de amendoim. Como a gente come? Pede colher pra aeromoça. Fechado. A moça fala o preço e a gente confere se ela contou tudo mesmo. Como assim a gente compra tudo isso com o preço de duas Pringles no Brasil? Primeiro mundo, amiga. Enfia tudo na bagagem de mão. Péra, que monte de gente é esse? A seleção portuguesa de futebol! Tira uma foto com o Cristiano Ronaldo. Eu não, não vejo nada nele. Tira uma dele comigo! Flash. Que podre, me lembra de me vingar pedindo pra você tirar uma foto da Xuxa comigo. Chamadas pro voo. Bagagem de mão em mãos. Na fila, atrás de um dos jogadores. Qual é esse? Não sei. Minha mãe vai me matar porque não peguei autógrafo do Cristiano Ronaldo pra ela. Agora aguenta, amiga, quem manda não me ouvir. Olha as pernas daquele. Tinha que ser brasileiro. Péra. Ele é português! Qualquer um que não seja um americano loiro aguado com cambitinhas ao invés de pernas é brasileiro. Ah tá. Qual o seu lugar no avião? 26A. O meu é 17B. O meu é na janela. Algum dos acompanhantes vai topar trocar. Porque a gente tem que ir junto. É, eu ainda tenho que te contar sobre a festa de despedida. Mas olha as pernas daquele! Por que eu nunca liguei pros jogos da seleção de Portugal? Abre o M&Ms. Olha o Cristiano Ronaldo no celular! Ouve a conversa! Eu não. Bitchface. Me dá um pouco. M&Ms amarelo é o melhor. Mas o que rolou na festa? No avião, amiga. Confere passagem. Liberada. Liberada também. Eu adoro os aviões da american air lines. Será que a gente consegue um lugar na primeira classe tendo pagado a normal de novo? Fica aqui que eu vejo se consigo. Nem que seja na executiva, eu só quero ficar do seu lado. É claro!
Primeira viagem internacional sozinhas. A primeira internacional dela. Motivo? Comemoração dos 17 anos de amizade. Mas péra, a mais nova tem 17 anos! Pois é. A vida toda. E cadê ela? Continua morando na casa ao lado. Tá, mas cadê ela? Sei lá. Não vejo mais.
11 Comentários em “Jabitucando – Costumava ser pra sempre”
‘Tá, mas cadê ela? Sei lá. Não vejo mais.’ É aquela coisa de um-ciclo-se-fecha-e-outro-se-abre que eu não sei se acredito. Mas não é como se tivesse doído, é?
Foi pra sempre por 17 anos. E os motivos nunca são ingolíveis quando o pra sempre acaba. pelo menos comigo..
Moooosa, eu posso salvar teu texto? É o mais lindo!
Tive uma amiga que conhecia a uns 14 anos. hj tbm não vejo mais, e tbm mora praticamente do lado… acontece.
Me deu um aperto no coração, tenho medo de perder minha melhor amiga, é.
Porra! 17 anos? E agora não se veem mais? Tenso.
Não tenho nenhuma amizade igual a essa de 17 anos,
mas já tive um monte de ‘melhor amiga’ q hj nao vejo mais.
Pra q q eu falei isso, ein?
cara, onde eu tava com a cabeça ? ontem era segunda feira ! bom.. whatever
aah, nao comentei antes, mas eh mt triste qdo coisas assim acontecem..
espero q um dia vc volte a fala com ela fleury =/
Vc ficou famosa por aqui( ja é se vc for a Fleury( q eu acredito q seja)! Eu tbm quero salvar seu texto, posso?! Vou rele-lo antes de ir pra la para nao errar!
Eu acho que tá na hora de começar a responder os comentários aqui, fiz a chata todo esse tempo, haha.
Kari: vc se aproveita que pode ler os Jabís antes da segunda PAOKSOAPOSPASK <3
Mariela <3: entendeu, é? hahahaha depois explico a história direitinho.
Nívia: sim, foi pra sempre enquanto durou! (: eu ainda vejo ela, a gente ainda se fala, não é como se tivéssemos brigado. só que a gente se distanciou pqe somos MUITO diferentes, e eu achei que nossa amizade era maior que isso. Mas siiim, pode salvar, nem precisa pedir ;D
Amanda: acontece mesmo. no meu caso ela mora literalmente do lado, só tem uma casa separando a minha da dela. a gente conversava por sacada, coisa mais 5° série, hahahahaha.
Nat: somos duas. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk ;D
Jeniffer: mas você tem porque ter medo? o único problema dessa história toda é que eu sempre fui muito segura da nossa relação, mas ao mesmo tempo acho que eu sempre gostei mais dela do que ela de mim. enfim… /:
Dani: pois é, 17 anos. a gente se conhece desde a barriga, sempre fomos mais irmãs que melhores amigas. mesmo assim…
Dany: brigada ;D
éanat: a gente não parou de se falar, até porque nos vemos em festas de família (já que as famílias só não são mais próximas porque não são de sangue). mas parecemos duas estranhas /:
Teruko: sou a Fleury sim, hahahaha. Pode salvar, fica à vontade ;D















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